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  Brasil levará para Copenhague meta de redução de emissões de até 38,9%  
 
 
Novidade cadastrada em 14/11/2009 20:05:04

O Estado de S. Paulo - Afra Balazina

O Brasil vai levar para a Conferência do Clima de Copenhague (Cop 15) o compromisso de reduzir suas emissões de gases que provocam o aquecimento global entre 36,1% e 38,9% em relação ao que o País emitiria em 2020 se nada fosse feito.

Na prática, a redução anunciada resultará na diminuição do lançamento para a atmosfera de cerca de 300 milhões de toneladas de gases de efeito estufa em relação ao que o País emitiu em 2005 - o que representa uma queda de 15% no período. A meta é menos ambiciosa proporcionalmente do que a do Estado de São Paulo, que adotou uma lei que prevê redução de 20% nas emissões até 2020, em relação a 2005.

No cenário internacional, porém, o compromisso brasileiro é, até agora, o mais audacioso dos países em desenvolvimento. A China já anunciou diversas ações para reduzir suas emissões, mas ainda não falou em números.

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, afirmou que "o esforço chinês é significativo, mas está na faixa de 16%, 17%". E a Índia defende que tem o direito de poluir para crescer.

Segundo o embaixador Luiz Alberto Figueiredo Machado, a meta é mais forte até que a de alguns países desenvolvidos, como os Estados Unidos. Para ele, só com a redução do desmate o País vai diminuir as emissões numa ordem de grandeza equivalente ao que está sendo proposto pelos americanos.

Para atingir o objetivo, o governo federal pretende reduzir o desmatamento da Amazônia em 80% e, pela primeira vez, falou em cortar o desmate no Cerrado em 40%. Há medidas ainda na área de agropecuária, energia e siderurgia.

Dilma fez o anúncio da meta que ela chamou de "voluntária", ou seja, que não poderá ser cobrada internacionalmente, ontem, em São Paulo. Ela se reuniu na cidade com o presidente Lula e outros representantes do governo. "Agora vamos fazer uma avaliação para definir fontes de financiamento e datas (o cronograma de implementação das ações). Uma das questões mais importantes é que as ações sejam factíveis."

Na opinião do ministro Carlos Minc, as negociações climáticas enfrentam hoje "um certo baixo-astral" e o anúncio brasileiro pode ajudar. "Não sejamos ingênuos. A negociação é complexa e não é isso que vai resolver. Mas pode fazer a diferença em termos de ânimo."

Os países em desenvolvimento, de acordo com a Convenção do Clima da ONU, não são obrigados a adotarem metas. Porém, as nações industrializadas pressionam os emergentes, grandes emissores de gases-estufa, para que também apresentem objetivos concretos.

Segundo cientistas, um aumento de mais de 2°C na temperatura do planeta será desastroso - haverá mais temporais e maior desertificação. Por isso, é preciso reduzir as emissões de gases-estufa - o principal deles é o CO2 - provocadas pelas atividades humanas.



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